Semana Inspirada – Vertigem

Existem situações na vida que nos faltam palavras para exprimir. Exprimir, é isso! Para mim, que não sou Pasquale e nem entendo de latim, exprimir quer dizer exatamente o que preciso. Exprimir lembra espremer, e quando me espremo não sobra espaço dentro de mim para sentimentos ruins. É preciso por tudo pra fora, espremo e exprimo.

E quando você não encontra o jeito certo de espremer, o que a gente sente vai mais para o fundo, parece esquecido, mas fica lá fazendo mal. Para exprimir, é necessário encontrar as palavras certas.

E quando não há palavra certa no dicionário? Procuramos em outras línguas ou juntamos várias, em suas infinitas possibilidades até encontrar.

Milan Kundera, tcheco, definiu muito bem “vertigem” em A insustentável leveza do ser.

“O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrae e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados.”

Eu leio essa frase e interpreto cada vez como a vida faz necessário. Hoje, o que eu entendo é que o medo de cair é tão grande, tão insuportável que dá vontade de se jogar logo de uma vez e sentir aquilo que, por pior que seja, não é tão ruim quanto a leveza de não saber o que é a gravidade do corpo, de não sentir o peso da realidade. E ainda, a queda é necessária.

Talvez precisemos sentir gravidade. Sentir que algo grave, algo urgente, algo real acontece. A leveza insustentável é irreal.

O mais incrível em nascer com a humanidade e sua linguagem bem desenvolvidas é que além de haver obras primas como o livro mencionado acima, há simples palavras! Como é bom não se sentir sozinha em um sentimento.

L’appel Duvide, do francês, serve para descrever o instinto que surge de pular de prédios altos. “A chamada do vazio” em português.

No âmbito da medicina “Vertigem” indica a sensação de perda de equilíbrio.

Exato. A vida está boa, estamos lá nas nuvens, e de repente perdemos o equilíbrio, essa leveza toda não se sustenta sem a gente colocar o pé no chão. A gente sente um vazio tão grande como uma bexiga que se perde até aterrizar.

Depois que cair, você perceberá. Aqui embaixo não é tão ruim como o medo da queda. Se jogue. Mas também não se jogue, não jogue tudo para o alto por medo.

Não dá para aconselhar ninguém sem paraquedas.

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