Onde ir: Alter do Chão

Viajei para a Alter do chão e sem brincadeira, você deve fazer o mesmo!

Fica no Pará, pertinho se Santarém (35km) e tem as praias de rio mais lindas que se possa imaginar.

Primeiro de tudo, você está na Amazônia. Pode fazer passeios na mata, conhecer fauna e flora brasileira.

Segundo, lá você está em contato com 132km do rio Tapajós até ele desaguar no Rio Amazonas. Pensa na quantidade de praias para conhecer? Todas onde estive tinham areia branca e águas claras, por isso Alter é conhecido como Caribe Amazônico. Em algumas pontas a água é azul, em outras verde, mas sempre transparente.

Como estou acostumada com o mar, passei a viagem toda comparando o rio com ele. Tapajós atinge a largura de 19 km nessa região. Não dá para enxergar a outra margem. E mesmo quando se atravessa de barco, demora um tantão para ver o outro lado. É um oceano de rio.

Alter do chão

O centrinho da cidade consiste em uma praça com coreto e Igreja, como a maior parte das pequenas cidades brasileiras.

Em frente da Igreja, há a praça. Em frente da praça, há a Ilha do Amor (clique nas fotos para vê-las maiores).

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A Ilha é uma praia de rio muito gostosa e a mais cheia das que conheci (o cheio de lá nem chega aos pés do cheio do litoral paulista).

Mas para quem gosta de pouco movimento, basta uma pequena caminhada e já se encontrará isolado.

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Ao redor da praça há bares e restaurantes gostosos, onde todo mundo vai. Prepare-se para encontrar as mesmas pessoas, sempre.

Passeios Imperdíveis

Para fazer os passeios você pode contactar os barqueiros da Cooperativa diretamente na rua ou ir ao Mãe Natureza Ecoturismo (em um dos restaurantes da praça) e tratar com o argentino Cláudio.

Tenho certeza que fora de temporada deve ser bem mais barato, mas no fim do ano o barco da Cooperativa para 6 pessoas foi 600 reais, nele só se leva 4. O do argentino é mais caro e seu valor depende de qual passeio e em quantas pessoas for. Neste, frutas, almoço e água estão inclusos. Além das taxas pagas aos moradores nos locais que entramos.

Acaba sendo pouca, mas alguma diferença.

Para a Flona fechamos com o argentino, mais estruturado e valeu a pena (as frutas durante a trilha me salvaram), os outros passeios negociamos direto com o barqueiro Sérgio.

FLONA

Flona é a Floresta Nacional de Tapajós.

Para chegar lá, pegamos um barco em Alter do chão e chegamos nesse paraíso:

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Adentramos até chegar na comunidade Jamaraquá.

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Um local acompanha você, normalmente com um grupo de pessoas, na trilha de 4 horas pela floresta explicando tudo.

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Lá tive o prazer de conhecer a árvore Seringueira, ver a extração do látex, colocar o dedinho no leite e depois sentir ele grudando como cola. Os locais utilizam essa cola para trabalhos escolares. Essa árvore tem algo que para mim me lembrou muito o plástico bolha: o leite escorrido vira uma borrachinha que dá pra arrancar da árvore. Pensa num prazer rs

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Conheci a árvore onde ficam formigas “repelentes”. O tronco é tomado por infinitas formiguinhas, você coloca a mão, elas sobem em você. Você se esfrega (acaba por as matar) e pronto! Seu cheiro está escondido pelo cheiro das formigas. Usam muito na caça para despistar animais, além de servir de proteção dos mosquitos.

 

Comi um pedacinho de um cipó que serve de remédio contra veneno de cobra. Nosso guia foi picado por uma e sobreviveu por conta dele.

Abracei árvores.

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Vi teias gigantes de aranha, mas ainda bem que não vi nenhuma viva. Vi a capa de uma delas só. Nem sabia que aranha tinha capa.

Sentei num tronco e contemplei a natureza.

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Mentira, só posei pra foto mesmo.

Vi a flor cacau usada na gastronomia pelo aroma de chocolate.

Vi bicho comendo bicho. Dá pra ver?

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Conheci a Samauma, a árvore gigante que dizem ter mais de mil anos. É indescritível a sensação de estar ao lado um fruto da natureza dessa magnitute.

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Você chega a um mirante super alto com uma bela vista.

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E retorna para almoçar na comunidade um pirarucu fresquinho.

Depois, seguimos o passeio para a lojinha que vende artesanatos feitos com sementes e látex. Colares, brincos, pulseiras, cadernos, carteiras, chaveiros…

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Por fim, damos um mergulho no Igarapé do Jamaraquá. Lindo, repleto de vitórias régias, com uma água geladinha porque segundo disseram ele “nasce de olhos de água”.

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A água do rio não é tão fria, nem quente. Tem a temperatura ideal. A do igarapé é bem mais fresca e também me pareceu ideal rs.

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Vi muitas aves, umas muito diferentes das outras. De encher os olhos.

O passeio acaba com o pôr-do-sol.

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Não é de chorar com tanta beleza?

Como já estava tudo incluso, o dinheiro gasto a mais foi na loja de artesanatos. Colares variam entre 10 e 30 reais. São bem baratos, exclusivos e ainda estão gerando renda para a comunidade. Vale a pena!

 Canal do Jari

Para chegar lá o passeio de barco é longo, cerca de 2h, e vale muito a pena. Tem um pouco de emoção nesse percurso, no meu caso não passava nem uma agulha, se é que me entende.

Lá vemos o encontro da água esverdeada do Tapajós com a barrenta do Amazonas.

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Enquanto na FLONA se conhece a flora, nesse passeio se conhece um pouco da fauna da Amazonia. Vê-se muitos, mas muitos pássaros. Eu vi um jacaré mergulhando na água. Vimos a carcaça de um outro na beira do canal que o Sérgio (nosso barqueiro) levou embora para fazer colar com os dentes. Eu peguei a coluna do animal, mas fedia a morte e larguei lá na mesma hora.

Sérgio nos levou até moradores locais para visitarmos a mata. Vimos bichos preguiças, macacos, aves de diferentes espécies, mais teias de aranhas, mais seringueiras…

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Vimos o crânio de um jacaré de mais de 5m que foi encontrado morto perto dali.

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Conheci de onde vem a castanha do Pará: parece uma castanha gigante, cheia de castanhas dentro. O casco se abre sozinho, o pica-pau come até aguentar e o macaco termina o serviço. Sobraram umas 3 pra gente.

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Caminhamos por uma trilha totalmente seca que fica alagada na cheia. É inacreditável como deve mudar o cenário quando a água cobre tudo.

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Todas as casas são bem altas, preparadas para isso. Nesse período as praias quase não existem e algumas deixam de existir mesmo. E então reaparecem. É um belo exemplo que serve de analogia para a vida. Mas essas reflexões não são para agora. Vou escrever outro post só sobre o que a natureza me ensinou sobre tudo.

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Estamos numa época de seca, há 6 meses sem chover. Vimos muitas queimadas e a fumaça era constante. Dá vontade pegar um helicóptero e jogar aquela abundância de água sobre a mata.

O casal que nos acompanhou era muito gentil e explicou tudo que queríamos saber  e o que nem sabíamos que queríamos, mas que queríamos também. São 20 reais por pessoa para conhecer o local.

Pegamos o barco, atravessamos com emoção e fomos almoçar na Ponta de Pedra. Tucunaré na brasa. Ai, que fome que me deu só de lembrar. Paga-se pelo peixe que vem acompanhado de baião, farofa e vinagrete, estávamos em 4 e saiu em torno de 30 reais por pessoa. Não deixe de pedir jarra de suco de cupuaçu, em todos os lugares, vai sentir saudade.

Nossa vista durante a refeição:

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Fizemos a digestão mergulhadas no rio.

E partimos para ver o pôr -do-sol na Ponta do Cururu.

Todos esperando esse momento:

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Você pode ir para Alter e não fazer passeio nenhum (o que seria uma grande bobagem), mas não pode perder de maneira alguma esse momento! Os botos aparecem enquanto o sol baixa formando um cenário que não consigo descrever. As cores rosa, amarelo e azul turquesa dominam o lugar, enquanto os botos dão o ar da graça. Sem querer acabamos ouvindo um coro não ensaiado de “ohhh” a cada aparição do bicho.

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Não espere um show da Free Willy. Ele não dá saltos, nem piruetas; coloca só as costas pra fora e já é incrível!

Álias, não espere em nenhum lugar espetáculos dos animais. Eles são animais e estão vivendo suas vidas na natureza normalmente – ainda bem! Se quiser ver o animal de perto, pronto para você, vá a um zoológico. A vida real e natural é assim! Estou falando isso porque escutei algumas vezes alguns turistas reclamando que “nem dava pra ver o bicho direito”, que ” nem valia a pena o passeio”. Minha dica nesse caso, é: vá à Disney no Animal Kingdom.

Rio Arapiuns 

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Nós elegemos as águas desse rio como a melhor de todas. As areias das praias são as mais branquinhas e fininhas que contrastam com as águas azuladas e cristalinas. Fomos na Ponta do Icuxi e na Ponta Grande. A Ponta Grande que já me parecia grande, fica maior ainda! Sérgio disse que já estava com a água subindo e que chega num ponto que só passa barco pequeno por lá.

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Depois de aproveitar bem o rio, fomos conhecer a comunidade ribeirinha Coróca.

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Conhecemos o lago onde habitam jacarés e muitas tartarugas. Lá homem nenhum entra. Alimentam a tartaruga de cima de um deck flutuante.

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Eu estou fingindo tranquilidade e paz interior em cima do deck, mas estou morrendo de medo de cair.

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Quem nos recebeu foi uma moradora da comunidade que entendia tudo sobre peixe por ser filha e neta de pescadores. Ela contou que lá há 11 famílias formadas por 75 pessoas ao total. E que tudo começou com duas mulheres.

Eles fazem farinha de mandioca, tapioca e eu aprendi como se faz. Não aprendi tão bem para explicar aqui, mas aprendi rs.

Também produzem mel feito por três tipos de abelhas.

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A gente provou o mel extraído diretamente da colmeia por uma seringa. Foi o mel com mais gosto de mel que já experimentei. Você pode comprá-lo na lojinha. O preço varia de 5 a 15 reais dependendo do tipo e da quantidade.

Eu segurei um filhotinho lindo de tartaruga.

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Almoçamos por lá também. Saiu 20 reais para conhecer o local, mais 20 para comer. Ainda tem a lojinha com artesanatos e mel; encha a carteira.

Casa do Saulo 

O Balneário e Restaurante Casa de Saulo fica na praia de Curuatatuba. Ele é muito conhecido pela beleza do local, mas principalmente pela comida. 

Conheci lá em um evento muito específico e não posso dizer como é normalmente além do que li na internet. Pelo que li e comi, vá!

Soulkitchen

Eu fui para Alter do Chão com as festas Vai Tapajós da Soulkitchen fechadas.

Foram 3 festas, sendo 2 open de comida e bebida e 1 de reveillón open bebida por 1290,00.

A primeira festa aconteceu na Casa do Saulo. Fizemos o trajeto de 1h30 de Alter para lá por balsa com música e algumas frutas e bebidas.

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Saímos ao 12h e voltamos 1h30 da manhã. O almoço foi uma delícia, preparado pelo próprio Saulo.

A segunda festa foi a da virada. Aconteceu na Floresta encantada. Só a ideia de passar o reveillón na Amazônia já emociona, imagine mergulhar num igarapé no meio de uma festa? Estava bem escuro e não tenho uma foto que represente o local.

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E a última foi um sunset de despedida na praia do hotel Belo Alter. As pessoas já se conheciam, as músicas ficaram famíliares, e o tornozelo já estava mais acostumado a dançar na areia fina. A comida mais uma vez  foi deliciosa e do Saulo. As bebidas eram de muito boa qualidade, até porque a ressaca não pode ser muito brava com tanto passeio a ser feito.

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Virada do ano

Essa não é a única opção de festa. Outra, realizada pela AMZ, aconteceu na ponta do Icuxi e pelo o que ouvi foi bem legal! É bem interessante, mais alternativa e aconteceu numa praia. No pacote da AMZ era possível incluir hospedagem em barcos.

É muito comum por lá as pessoas optarem por dormir em redes nos barcos e passarem a estadia pingando de praia em praia.

Noite

O que fazer a noite? Essa sou eu andando na pracinha para ilustrar o que se faz:

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Os bares e restaurantes da praça ficam super cheios. Mas eles fecham cedo, por volta da meia noite.

O Espaço Alter do chão é uma “balada” com shows de carimbó incríveis! Meu lugar preferido! Depois de jantar e aproveitar o bar, partimos para lá todas as noites.

Nesse vídeo dá pra ouvir um tiquinho de Carimbó, ver a banda que mais gostei e o ritual de jogar água de cheiro no povo.

E acontecem mais eventos noturnos que se descobre na hora, como um chorinho em um bar na rua de cima da praça. É fácil ficar sabendo o que vai rolar.

DICAS IMPORTANTES:

  • Tome vacina contra febre amarela, apesar de não terem pedido o comprovante no aeroporto, vi alerta de controle no banheiro da pousada.
  • Não se preocupe com pernilongos e mosquitos. Leve repelente claro, mas eles não devem incomodar.
  • Para trilha na FLONA, use tênis e opte por roupas confortáveis. Fui de shorts jeans, ele molhou no barco, tirei e caminhei de biquini e canga mesmo. Foi tranquilo.
  • Não fique abraçando árvores como se não houvesse amanhã (como eu fiz e levei bronca). Pergunte ao guia, pode haver bichinhos que nos fazem mal.
  • Fiquei hospedada na pousada Vila da Praia e fomos muito bem recebidas. O preço é super honesto, a localização é ótima e é bem confortável. Cuidado com valores abusivos, principalmente em alta temporada.

Para finalizar, uma pequena playlist inspiradora das músicas mais escutadas:

Geração Protagonista

Ví esse vídeo e agora poderia estar pensando em como o Justin Bieber mudou e ficou charmosão ou em como posso confundí-lo com a Ellen.

Mas só fiquei intrigada em como centenas de meninas tiveram a chance de estar tão próximas de um ídolo enquanto ele se apresenta num programa de TV e, ainda assim, preferiram assistí-lo pela telinha do próprio celular.

Para recordação não seria, já que tudo foi gravado em altíssima qualidade e ficou disponível na internet logo em seguida.

Parece que estar lá não tem tanta relevância quanto mostrar que se está lá. E que o ídolo não é tão idolatrado assim quanto a si mesmo.

Estar lá não alimenta o amor pelo ídolo, mas o amor por si mesmo que poderá ser admirado por isso e quem sabe se tornar o ídolo de outro alguém.

Todos querem ser Justin Bieber. Parece que todos podem ser Justin Bieber.

Todos querem ser protagonistas da vida, isso é claro. Devemos mesmo ser protagonistas das nossas próprias vidas, mas e querer ser da vida dos outros?

Na verdade, no fundo, não há problema nenhum em querer isso. A única questão é, para quê? Para quem?

Eu já fui em diversos shows e gravei snapchats deles. O snap deixa ainda mais claro que os vídeos não são para lembrança alguma, já que em 12h o app apaga o arquivo. É para me exibir mesmo, ganhar status em cima da minha atividade. “Olha como sou cool por estar aqui”. E sei que vou continuar fazendo, apesar de não ter paciência e pular os vídeos desse tipo dos outros usuários.

Em minha defesa, ainda me resta algum tipo de consciência: os últimos shows que fui não eram dos meus ídolos, estava muito distante do palco e não havia nenhum tipo de recording.

Ainda que eu faça parte disso, fiquei bastante intrigada.
Então, vale a reflexão.
Não estamos exagerando um pouco na dose, digo, no ego?

Pensamento positivo

Quando você está na praia e vê uma nuvem escura: bufa e vai embora ou aproveita os últimos minutos de sol?

Sabe o que vai acontecer? Não vai chover. Se você pensou negativo, é um azarado que estará dentro de casa sem chuva ou terá o trabalho de voltar para a praia quando perceber que não choveu. Se pensou positivo, se deu bem!

Álias, se você consegue uma folguinha para ir à praia, mas a previsão é de chuva: bufa e desiste ou vai porque mesmo com chuva é bom respirar um ar puro?

Sabe o que vai acontecer? Não vai chover. Se você pensou negativo, é um azarado que estará na cidade poluída em vez de estar dentro mar. Se pensou positivo, se deu bem!

Tá, já entendi que você é pessimista. Você quer saber o que acontece se chover mesmo, afinal isso pode acontecer. E na sua cabeça é o mais provável.

Se chover, pelo menos você aproveitou mais tempo na praia até isso acontecer.

Quando fui para Minas a previsão não era de chuva, era de temporal! T-o-d-o-s os dias! E alagamento! Fui, levei 3 calças e um par de botas inúteis que só fizeram peso. Choveu um único dia, de noite. A chuva me fez ficar presa num bar. Fiz amigos, bebi, conversei. Na hora de ir embora, a chuva passou. A chuva me deu boa sorte e me fez ficar fora do hotel num dia que eu estava meio tristinha e que provavelmente não faria nada.

Esse último feriado, a mesma coisa! Um dia na praia, o tempo começou a fechar, e fechar… e eu lá! Uma amiga foi embora, outras duas pessoas. E eu lá! Não choveu e ainda peguei uma cor no mormaço.

Realmente, choveu todos os dias. De madrugada enquanto dormia com o barulhinho da água.

Tá, confesso. Na primeira noite, a chuva começou a cair justamente quando íamos sair. O bar que iríamos era aberto. A água descia cada vez mais forte. E eu insisti em ir até o fim. Não deu nem para sair do carro. E eu tive que voltar pra casa e dormir.

Sabe que foi bom?  Óbvio que preferia ter aproveitado a noite. Mas saí no dia seguinte. E no resumo da viagem, constatei que a melhor parte de ter viajado foi para perceber que gosto mesmo é de ficar comigo.

Me diverti muito com minhas amigas, foi ótimo! Mas percebi que a melhor parte foi ficar sentada na areia, comigo mesma, lendo um livro e ouvindo um som no fone de ouvido. A melhor parte foi constatar que sou feliz sozinha e que não preciso de bar, breja e mil pessoas ao redor para isso.

A melhor parte foi caminhar, refletir sobre a vida e ser grata por tudo que conquistei em meio a tantos temporais.

Obrigada, chuva! Se não fosse por você, não daria tanto valor aos dias de sol.

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Mochilão Minas Gerais

Aproveitei o feriado de finados e mais 4 dias que consegui do trabalho para fazer uma viagem. Na hora de escolher o destino priorizei conhecer um lugar novo, onde adquirisse conhecimento cultural, próximo e barato. Normalmente, ao viajar pelo Brasil, acabava sempre em sul e nordeste: praia e praia. Já que estou habituada a viajar sozinha para fora do país justamente porque me sinto mais a vontade em conduzir meu próprio tempo ao observar arquiteturas, museus, degustar pratos típicos e caminhar pelas ruas, decidi fazer o mesmo aqui dentro do país que é tão rico!

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Destino – cidades históricas e não tanto de Minas: São João Del Rei, Tiradentes, Ouro Preto, Mariana, Belo Horizonte e Inhotim.

 

Planejamento

Para mim, foi fundamental deixar tudo bem organizado antes da viagem. Minha primeira ideia era ir de SP a BH de avião e depois ir descendo de ônibus. Se não tivesse feito o planejamento inteiro, com pesquisa de passagens e planilhas não teria notado que a viagem saíria um pouquinho mais cara e ainda não conseguiria fazer trajeto algum de Maria Fumaça que só funciona aos fins de semana. Sem preguiça, estude antes que vale a pena.

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Ah, e desapegue do planejamento também, as coisas podem mudar. Olhei para essa planilha que fiz logo no início e vi que valores foram diferentes e claro, sempre para mais caro, mas pouquinha coisa. Antes dessa planilha, planejei as noites de maneira diferente. Mas mudanças são sempre para o bem, então desencane!

O que sempre faço para me organizar também, é andar com um caderninho com todos os endereços das hospedagens e localizador das passagens.

Pensei na viagem de uma maneira que aproveitasse o fim de semana em Tiradentes, mas que chegasse e fosse embora de lá antes dos turistas que viriam no feriado, que ficasse em São João ainda no fim de semana já que lá a cidade é pequena, e que durante a semana ficasse em Ouro Preto já que como cidade universitária é movimentada sempre e que passasse os últimos dias em BH e Inhotim para, então, retornar.

E é dada a largada!

Tiradentes

Fui de São Paulo a São João Del Rei de ônibus, a viagem durou menos tempo que o esperado e cheguei na cidade 6h50. Na rodoviária, me informei que há ônibus quase o tempo todo indo para Tiradentes. 7h20 já estava dentro de um dele. 60 centavos para entrar na plataforma de espera, mais alguns trocados para o ônibus.

Não tive problema algum durante toda a viagem para conseguir informações. Os mineiros são muito atenciosos, sempre dispostos a ajudar. Inclusive, logo que cheguei na rodoviária de Tiradentes parei para conversar com taxistas sobre a localização do meu hostel. De repente, aparece o rapaz que estava ao meu lado no ônibus com meu RG na mão. Pobre coitado, desceu antes de seu ponto para entregar para cabeçuda aqui que ia perder o documento logo no primeiro dia.

Comprar gato por lebre: Foi super tranquilo chegar no Hostel porque era realmente próximo da rodoviária, mas demorei para encontrá-lo, porque ele simplesmente não se parecia em nada com as fotos que vi. Portanto, cuidado! Quase desisti de ficar lá, mas o cara que cuidava do local era tão gente boa, me deu tantas dicas da cidade e foi tão cuidadoso que eu desencanei do conforto. E pensando bem até que foi bem confortável, porque lá era super bem localizado, dormi num quarto de solteiro, hospede não lava a louça (teve lugar que lavava), o banheiro estava sempre limpo e era silencioso. Não precisava de mais nada. Bom, quem quiser ficar num lugar bem, mas bem, mas bem, bem simples mesmo e depois não fale que não avisei: Hostel Raiz.

Tomei um café com leite, troquei de roupa e fui bater perna. A cidade é tão pequena que facilmente você de localiza. Para começar fui na Secretária de Turismo  no Largo das Forras e peguei um mapa. Lá também descobri que haveria uma peça no dia seguinte. Ou seja, vale passar lá e descobrir o que rola na cidade.

Fui para a Igreja da Matriz (dizem quem é a segunda igreja com mais ouro do país, mesmo título que escutei de outra em Ouro Preto. Entrei nas duas e para mim a segunda vence. Visite as duas e chegue em sua conclusão) , mas não entrei nesse momento porque voltaria as 19h para um espetáculo de Órgãos. Custava 5 reais para entrar durante o dia e no espetáculo que ocorre todas as sextas 40 reais (20 meia).

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Achei bem bonito e interessante que como era dois dias antes do feriado de finados, encontrei dois irmãos cuidando de túmulo da família. Eu os entrevistei e gravei em vídeo e quero chorar, perdi! Perdi vários vídeos e fotos! Enfim, eles disseram que fazem isso todos os anos, tradição passada de geração a geração. Que escolhem a cor da tinta igual a cor da casa deles, porque é como se fosse a mesma casa, só que uma aqui e outra ali.

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A maioria das igrejas tem cemitério ao seu redor. A população era enterrada na igreja adequada para cada origem e posição social . Na Igreja da Matriz portanto, famílias tradicionais e de boa condição social compraram seus lotes. Dentro dela, no chão estão Barões e Baronesas, padres e altíssima sociedade.

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Foi então que comecei a entrar em contato com a desigualdade social de maneira simbólica.

Em frente da Igreja da Matriz está a antiga delegacia e o pelourinho, onde os escravos eram castigados, leia-se torturados. Foi então que entrei em contato com a desigualdade completa. O sagrado em frente ao desumano. O ouro em frente a escravidão. Era outra época, eu sei. Mas é importante se impressionar com algo cruel que tem seus resquícios até os dias atuais.

De lá fui para o Museu Casa Padre Toledo (5 reais) que adivinha? Tem esse nome porque o museu era a casa do Padre Toledo. A casa é enorme, com sala, ante sala, sala de jogos… Foi uma das primeiras casas de luxo. Lá acontecia saraus, encontros políticos. A educação de qualidade era dada pela igreja e claro que os padres eram muito cultos e faziam parte da alta sociedade.

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Essa foto é da porta do Museu, antes dele abrir. Tirei infinitas fotos, mas adivinhe? Perdi!

O mais marcante: lá aconteceram encontros da Inconfidência Mineira. O Padre era um dos inconfidentes.

Segui para o Museu da Liturgia (paga para entrar) e foi o máximo! Não tenho educação religiosa, então foi ótimo que a mulher que trabalhava lá  foi super atenciosa e me explicou tudo! Descobri que todas as Nossas Senhoras são a mesma pessoa, Guadalupe, do Carmo, das Graças, Aparecida, de Fátima… Me contou fatos bíblicos e achei tudo muito interessante. Lá não é possível tirar foto. Então, vá.

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(Foto da porta de saída do Museu de Liturgia. Vai entender porque só foto de porta quis permanecer comigo entre tantas perdidas rs)

Fui num Sobrado Quatro Cantos com uma exposição sobre percepções.

De lá fui almoçar no Divino Sabor, self-service que fica cheio e pode ser por kilo ou 28 reais e se come a vontade. Achei bem gostoso. O rapaz que cuida do hostel que fiquei disse depois que se fizer marmitex custa até uns 12 reais, para quem estiver com o orçamento apertado vale bem a pena. Escolhi comer a vontade e foi maior desperdício.

Fiz tudo isso e ainda era 12h20.

Parei no Shopping que nada tem a ver com o nome, são umas 4 casinhas com lojinhas e uma praçinha no meio.

A melhor coisa que fiz nessa visita a Tiradentes foi o city tour Becos e Bosques. Custou 25 reais e um historiador me apresentou a cidade, a contextualizando historicamente, por meio dos bescos e bosques dos escravos.

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Eu saí do passeio sabendo a diferença entre as igrejas das mercês, do rosário, da matriz… todas! Cada uma foi construída pelo seus frequentadores. Uma para o negro africano que colocava seus Orixás dentro dos santos de pau oco, outra para negro brasileiro, outra para o branco rico, outra para o branco pobre que tinha ajuda financeira de maçons e por isso tem símbolo maçonico disfarçado na entrada. Saí sabendo tudo sobre a Inconfidência Mineira, inclusive que o traídor dela é a origem da família do Sarney! Está explicado tanto poder até os dias de hoje, Joaquim Silvério dos Reis ganhou terras e privilégios por dedurar os inconfidentes e como poder gera poder, os privilégios perduram até os dias de hoje entre seus herdeiros. Ele foi traídor mesmo porque era amigo de Tiradentes!

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(Teto da Igreja Nossa Senhora das Mercês)

Se tenho um conselho para dar nessa viagem, é: faça esse citytour! É da agência Viva Minas e eles tem vários passeios, fiquei com vontade de fazer a trilha de 5h30 na serra. Fica para a próxima.

E guenta coração, aliás panturrilha. Acabou o city e fui entrar na Igreja do Rosário, a mais antiga construído pelos escravos nas horas de folga (leia-se na hora de dormir). Já sabe de quem é essa né? Isso! Igreja do Negro africano.

Parti para o Museu de Sant’Anna. Sabe quem é Sant’Anna? há! Eu sei! A mãe da Nossa Senhora (complete o nome dela como desejar: do Carmo, de Guadalupe…). Nele se encontram diversas imagens da Santa colecionadas pela dona do museu, um deleite para amantes da arte barroca. O Museu foi construído na antiga prisão da cidade e nele você consegue ver resquícios como a solitária, portões e grades.

Voltei para tomar banho, merecido, comi um pão de queijo e fui buscar a entrada para o espetáculo de órgãos. Enquanto aguardava seu início, fui assistir a apresentação da Orquestra Orff da Fundação CSN no Centro Cultural Yves Alves. Nesse Centro Cultural acontecem diversas atividades, apresentações teatrais, vale passar por lá e se informar da programação.

O Concertos aos Órgãos da Igreja da Matriz: como disse acontece todas às sextas após ao show de luz às 19h30. Perdi esse show por conta de um raio que queimou tudo. 

O programa realizado pela organista Elisa Freixo continha músicas John Sebastian Bach intercaladas com outras de diversos compositores que pelo o que ela explicou eram difíceis de compreensão, criadas para apreciação dos clérigos que eram muito cultos e inteligentes. Confesso que eu adorei até mais essas outras, que era como um mosaico de músicas, bem ágeis e intensas.

Não se pode tirar foto, nem filmar.

Jantar

Para jantar existem diversas opções para todos os gostos. Os restaurantes da Rua Direita são bem requintados com alta gastronomia, culinária italiana, contemporânea, francesa…

Já o Largo das Forras é rodeado por bares e restaurantes mais animados e abertos. Foi onde escolhi para apreciar uma cerveja artesanal.

Se quiser estender a noite tem uma “balada” chamada Yellow Submarine. Os garçons estão vestidos de acordo com o nome do local, tem banda ao vivo, mas é super pequenininha.

No dia seguinte, aproveitei que já havia realizado os programas turísticos e curti a cidade ao caminhar tranquila, sentar em praças e observar e entrar em igrejas que estavam fechadas no dia anterior.

São João Del Rei

Fui para São João del Rei de Maria Fumaça por volta do 12h e esse passeio é muito legal!

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Apesar de São João ser maior que Tiradentes, permaneci mais pelo centro histórico. É muito fácil de se localizar, tem muitas igrejas com obras e planejadas pelo Aleijadinho, além das casas com arquitetura dos séculos 18 e 19.

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A casa acima era do Tancredo Neves.1446506207229

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E para finalizar o dia:

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Ao andar pelas ruas, não estranhe ser cumprimentado por todos. Ao ir a um bar, não estranhe fazer amizade com pessoas de quaisquer idade.  Mineiros são muito hospitaleiros. Nessa noite minhas amigas tinham 60 anos para cima e foram super divertidas!

Dormi apenas algumas horinhas antes de viajar de novo, mas foi onde melhor me hospedei. Fiquei numa suíte com uma varandinha com vista pra cidade muito bem localizada. Recomendo: Pousada do Segredo.

Ouro Preto

O único ônibus que existe de São João del Rei para Ouro Preto é o pior do mundo e está marcado para às 4h50 da manhã, mas me recomendaram chegar às 3h30 já que ele só passa pela cidade e pode chegar antes e não te esperar. Mal dormi e saí. Pelo menos durante as 4h de viagem consegui dormir apesar do ar condicionado congelante.

Cheguei na minha cidade preferida da viagem e na qual permaneci mais tempo.

Me hospedei no Brumas Hostel que facilitou a minha vida. Muito bem localizado e baratíssimo. Apesar de ter 8 camas no quarto, dividi apenas com uma americana que se tornou uma ótima companhia. Dica: reserve direto com eles. Paguei 50 reais a diária pelo booking, mas seria ainda mais barato (acredite!), meros 38 reais. O café da manhã lá era uma delícia e estava na praça Tiradentes: perfeito!

Acabei chegando na segunda de Finados, o que foi ruim porque tinham muitos locais fechados. Consegui no primeiro dia aproveitar o Museu da Inconfidência.

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E ir a Extensão do Museu, na rua Antônio Pereira na lateral do da Inconfidência, que tinha uma exposição bem bacana também. 

Além de caminhar e comer bastante.

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Como fiquei 3 dias na cidade, vou destacar os pontos altos e não ficar discorrendo sobre meu dia-a-dia.

As igrejas, são muitas, muito belas. Aleijadinho para dar e vender. Tentei ir em todas. Faltou algumas, claro, são tantas! Cada uma com seu estilo único. As preferidas: Igreja Nossa Senhora do Carmo, Igreja N. S. do Pilar (é a segunda Igreja com mais ouro do país) e muito fofa a Igreja N. S. da Conceição onde tem tambem o Museu do Aleijadinho.

Entre uma e outra, deixei me perder para descobrir ruelas, capelinhas, casas… Valeu a pena!

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Lugares charmosos para tomar café: 

Chocolates Ouro Preto, que tem na praça Tiradentes, mas preferi o mais para baixo, próximo a rua dos bancos.

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E meu preferido de todos os dias, que sentava e parava para desenhar, também na praça Tiradentes, Café e Livraria Cultural. Ele fica em baixo do Sesi e pude apreciar lá a exposição do mexicano Armando Ahuazi que trabalha excelentemente luz e sombra e claro e escuro em seus quadros.

Para lanchar: 

Hamburgueria Pão de Queijo Gourmet, com 14 reais comi um dos x-saladas mais gostosos da vida, com uma batata frita das mais gostosas da vida, com um molhinho dos mais gostosos… você já entendeu! Então vá! Eles também fazem sanduíche no pão de queijo, mas não provei.

Para almoçar baratinho: Restaurante Tiradentes por meros 13 reais você come a vontade nesse restaurante que fica cheio de moradores da cidade e mochileiros. A comida caseira e típica da região é boa de verdade. Repeti o prato 3 vezes. Saí satisfeita.

Para Jantar com mais requinte: 

O Passo Pizza Jazz, esse restaurante é bem charmoso e um dos mais badalados da cidade. Tem uma concorrida varanda, além dos 4 ambientes internos. Comi um salmão teriyaki delicioso, mas percebi que o carro chefe é a pizza pelas mesas ao lado.

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Chafariz é lindo e charmoso, estava louca para ir, mas quando fui estava fechado.

Para beber: 

Fui ao Porão Cervejaria porque era dos mais recomendados online, no entanto nunca esteve cheio no período que estava lá. E olha que fui 3x, porque os bares ao redor estavam ainda mais vazios (tirando os que falarei em seguida). Lá vale a pena pelas cervejas artesanais e pelo pastel de angu!

Satélite e Barroco são os bares mais movimentados. Antes ficavam um em frente ao outro na mesma rua do Porão. Era tão cheio que mandaram um deles sair dali para não atrapalhar a vizinhança. Barroco acabou lá pra Vila Aparecida, um pouco mais afastado, mas mais cheio que o primeiro. Repleto de universitários e com cervejas mais simples, são botecos mesmo. Há grandes chances de assistir apresentações de estudantes de Artes Cênicas mais animados pelo Dionísio com música e recitais. Um verdadeiro sarau.

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Só não faça essa foto depois de beber!

Vista e piscina:

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Eu estava louca por água, mas fiquei receosa de ir sozinha a uma cachoeira e também achei esquisitíssimo ir com um guia, só eu e ele. Procurei hotéis na cidade com piscina. O escolhido foi Solar das Lajes. Paguei 50 reais para ficar a tarde lá. Me refresquei e ainda apreciei uma vista incrível da cidade inteira. Pontos negativos: não espere nada além da água e da vista. Não tem nada lá! Esperava um bar, algo para comer. Só tem a disposição chás e bolos durante o dia todo.

Pôr-do-sol lindo pra se ver é na Igreja N. S. das Mercês e Misericórdia

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Fique atento a programação da cidade! Eu assisti a um espetáculo de rua, Janeiros da Cia Mamulengos.20151104_202619

Mariana

Quando estive em Ouro Preto, fui para Mariana passar uma manhã. Em cerca de 30/ 40 minutos você está lá de ônibus.

Saltei do ônibus antes de chegar na cidade, na Mina da Passagem. São 120 metros de profundidade, mais 350 de extensão. Mas não se engane pelos números porque a gente anda só uns 20 metros lá embaixo. O ponto alto do passeio é o lago onde só profissionais podem mergulhar.

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Para ir da Mina a cidade existe uma passarela que torna o passeio bem agradável, uma bela caminhadinha rs

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A cidade é muito charmosa!

Belo Horizonte

Fui para Belo Horizonte de ônibus e o motorista foi muito gentil, me deixou antes de chegar na rodoviária, bem perto do Hostel Savassi, onde me hospedei.

O bairro Savassi é repleto de bares e proximo ao centro e ao bairro Lourdes, também cheio de restaurantes.

Adorei o Café com Letras, conheci um dos milhares de bares de espeto no Lourdes e fui ao um bar alternativo no centro chamado Dub.

Achei a cidade linda, organizada e muito fácil de localizar. Mal posso esperar para voltar!

Como pode perceber, adoro ir ao teatro e fui mais uma vez nessa viagem. Conheci o Teatro Marília e assisti a Caesar – Como construir um Império.

Inhotim

É super fácil chegar em Inhotim. Vá a rodoviária de Belo Horizonte um pouco mais cedo para garantir lugar no ônibus. Sua saída é as 8h15 e custa uns 23 reais. A volta é as 16h e custa o mesmo.

Inhotim vale um post só para ele. Não quero me estender em minhas impressões por aqui, já que apaixonada por lá escreveria um livro.

Dicas importantes:

Leve roupa de banho! Existem duas piscinas abertas: uma externa, outra interna e fazem parte das obras de visitação. Nenhuma pessoa havia me falado disso, e provavelmente para ninguém que foi quando estive lá. Não vi ninguém na água. Eles têm toalhas e vestiário.

Visita em um dia é possível sim! Eu visitei absolutamente tudo sendo que almocei tranquilamente no restaurante onde se come a vontade (58 reais durante a semana / 67 nos finais de semana – não inclui sobremesa) e ainda tomei café da manhã quando cheguei. Me botaram um medo, uma ansiedade, de que teria que fazer tudo com pressa… Relaxa! Só compre o carrinho por 20 reais para ir nas galerias mais distantes e faça tudo no seu tempo. A vantagem de ir sozinha é essa, não esperei ninguém numa galeria que não mexeu comigo e pude passar mais tempo vendo as obras que me tocassem. Não esperei alguém ir ao banheiro, nem perdi tempo discutindo qual melhor trajeto. Simplesmente, fui! E fui sem pressa!

Sinceramente, não dá pra morrer sem ir lá!

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20151106_105413Essa foto panorâmica é da sala que tem caixas de som em 360 graus e cada uma toca a gravação individual de voz de um concerto. Você pode permanecer no centro e ouvir o todo ou ir mais próxima de alguma para uma voz específica.

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Espero que tenham gostado, eu amei e já quero fazer um novo mochilão, além de voltar nessas cidades lindas!

Se por acaso quiser viajar para esses lugares e tiver alguma dúvida, não hesite em me perguntar! Mande mensagem nos comentários aqui embaixo!

 

 

Semana Inspirada – Vertigem

Existem situações na vida que nos faltam palavras para exprimir. Exprimir, é isso! Para mim, que não sou Pasquale e nem entendo de latim, exprimir quer dizer exatamente o que preciso. Exprimir lembra espremer, e quando me espremo não sobra espaço dentro de mim para sentimentos ruins. É preciso por tudo pra fora, espremo e exprimo.

E quando você não encontra o jeito certo de espremer, o que a gente sente vai mais para o fundo, parece esquecido, mas fica lá fazendo mal. Para exprimir, é necessário encontrar as palavras certas.

E quando não há palavra certa no dicionário? Procuramos em outras línguas ou juntamos várias, em suas infinitas possibilidades até encontrar.

Milan Kundera, tcheco, definiu muito bem “vertigem” em A insustentável leveza do ser.

“O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrae e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados.”

Eu leio essa frase e interpreto cada vez como a vida faz necessário. Hoje, o que eu entendo é que o medo de cair é tão grande, tão insuportável que dá vontade de se jogar logo de uma vez e sentir aquilo que, por pior que seja, não é tão ruim quanto a leveza de não saber o que é a gravidade do corpo, de não sentir o peso da realidade. E ainda, a queda é necessária.

Talvez precisemos sentir gravidade. Sentir que algo grave, algo urgente, algo real acontece. A leveza insustentável é irreal.

O mais incrível em nascer com a humanidade e sua linguagem bem desenvolvidas é que além de haver obras primas como o livro mencionado acima, há simples palavras! Como é bom não se sentir sozinha em um sentimento.

L’appel Duvide, do francês, serve para descrever o instinto que surge de pular de prédios altos. “A chamada do vazio” em português.

No âmbito da medicina “Vertigem” indica a sensação de perda de equilíbrio.

Exato. A vida está boa, estamos lá nas nuvens, e de repente perdemos o equilíbrio, essa leveza toda não se sustenta sem a gente colocar o pé no chão. A gente sente um vazio tão grande como uma bexiga que se perde até aterrizar.

Depois que cair, você perceberá. Aqui embaixo não é tão ruim como o medo da queda. Se jogue. Mas também não se jogue, não jogue tudo para o alto por medo.

Não dá para aconselhar ninguém sem paraquedas.